Bloggulk (desde 29/6/2003) Ano 6

Sexta-feira, Janeiro 16, 2009



Coisas Ainda Assim Parvas, Outras Manifestamente Patetas e Algumas Autênticas Parvoíces

O CASO DO DESPEDIMENTO COLECTIVO NA CONTROLINVESTE
(Parte 1)

O despedimento colectivo nas publicações da Controlinveste só pode surpreender quem anda com a cabeça na lua. Entre os 122 anunciados despedimentos há pelo menos metade que são jornalistas e também aí só os distraídos ficarão surpreendidos. Provocará, claro, as habitualmente inócuas declarações do sindicato de uma classe apenas corporativista, sem capacidade de luta (alguma vez houve uma greve de jornalistas em Portugal???????????????????????????) e cada vez mais iletrada funcional. No fim, e porque esse mesmo sindicato só representa cerca de 50% dos atingidos pela decisão, fica tudo por conta da crise.
Há coisa de 2 anos, quando Joaquim Oliveira foi à Cofina contratar um autocarro cheio de magos dos jornais, Bloggulk antecipou este brutal ajustamento entre os recursos existentes, as necessidades e a relação custo/benefício.
Pode ser da crise financeira. Pode ser da crise económica. Pode.
Mas este é também o momento ideal para fazer algo que estava obviamente inscrito no plano de ataque. De tal modo, que antes deste passo outro foi dado, no final do ano passado, com mais umas contratações para o Diário de Notícias. Profissionais que vieram do Expresso e do semanário Sol. Antes de vender, ou apenas expor o porco no mercado é preciso engordá-lo mais um pouco, qualquer suinicultor concordará.
O gigantismo das redacções do DN e do JN era absolutamente insustentável. Espanta apenas que tenha durado tanto tempo. Ou não, porque havia apenas que esperar a oportunidade certa. Um diário que vende pouco mais de 35.000 jornais/dia, como o DN, não sobrevive se tiver nos quadros cerca de 150 jornalistas. O próprio JN também precisaria de ajustes. O Jogo e o 24 Horas, dois subprodutos que juntos não ultrapassam os 45,000 jornais/dia também teriam de levar por tabela. Qualquer deles, aliás, só existe ainda porque fechar títulos é muito mau. E no caso de O Jogo ainda há o serviço objectivamente prestado ao FC Porto.
Como curiosidade fica apenas a anunciada viragem e enfoque do 24 Horas nos temas cor-de-rosa. Algo que já não vende como vendeu, até porque o público-alvo, que nunca teve dinheiro – e por isso sonhava espreitar vidas de… sonho – agora ainda tem menos. Ainda agora, por exemplo, a directora da revista Flash, da Cofina, saiu de cena depois de resultados negativos nas vendas. Hoje, a inundação e o alastramento da mancha cor-de-rosa provocou uma espécie de overdose que teve como reflexo a morte ou a alienação dos consumidores. Já não compram, ou compram muito menos.


MIL
122 trabalhadores. 122 colaboradores, como algumas das empresas, via linguagem técnica da disciplina de Recursos Humanos, gostam de chamar aos funcionários ou assalariados. Somados aos 254 “temporários” – trabalhadores, como os outros -- ao serviço da AutoEuropa e a mais tantos outros que não são notícia, colocam a fasquia no milhar de desempregados só nos primeiros 15 dias de 2009.


DESPEDIMENTOS
Se Bloggulk fosse um qualquer jornalista, a enorme multidão de arruaceiros que tem acesso à net em Portugal já estaria a desejar-lhe o despedimento. Porque está a falar de despedimentos e isso leva, como está provado, a mais despedimentos. Melhor, porque é isso que se percebe nos comentários em vários sites, essa multidão de arruaceiros está a festejar os agora despedidos do grupo Controlinveste. E festejaria ainda mais se todos os outros que ainda não foram despedidos também o fossem. Portugal seria um paraíso, e o Mundo por extensão, se os jornalistas fossem extintos.
Os cães, esses desonestos, terroristas e criminosos que são os jornalistas não merecem mais do que não trabalhar, não receber, não pagar as contas, não educar os filhos, não beber uma bica. Não existir. Aliás, não deviam receber subsídio de desemprego. Talvez devessem mesmo adentrar o Campo Pequeno e prestar-se á solução um dia preconizada por Otelo Saraiva de Carvalho para os contra-revolucionários do 25 de Abril.
Não têm direito a respirar, porque são eles os responsáveis. Se uma empresa despede e o jornalista dá a notícia foi ele que despediu. E como despediu contribui ainda para mais despedimentos.
Os senhores do BPN enganaram quem lá depositou dinheiro? Errado. Foram os jornalistas.
O sistema financeiro colapsou porque alguns andaram a engordar à conta do dinheiro de muitos? Errado. Foram os jornalistas que provocaram a crise.
Israel despeja bombas e soldados e tanques sobre os palestinianos? Errado. São os jornalistas.
O calçado, os têxteis e o turismo têm menos clientes em Portugal? Errado, foram os jornalistas que destruíram esses sectores da economia.
Nevou no IP4 e não há limpa-neves? Culpa dos jornalistas, que deviam deitar-se por debaixo das rodas dos carros encalhados para que estes pudessem andar.
Sócrates, o Primeiro, parece uma barata tonta ou um daqueles carrinhos a pilhas do Natal que quando bate num obstáculo consegue retomar o rumo, ainda que aleatório? Erro. São os jornalistas que governam o país.
A assembleia da república diverte-se em discussões que ninguém entende? Vai de fim-semana prolongado? Está errado. São os jornalistas que votam as leis.
Um jogador marca um golo fora de jogo porque um árbitro não marcou a infracção? Erro. Foram os jornalistas que não marcaram a falta e fizeram-no de propósito.

Um teclado e um computador ligado à net tornaram dezenas de milhares de portugueses em protótipos únicos e sofisticadíssimos de jornalista. Qualquer deles seria óptimo numa redacção. E nunca seria despedido. Excepto quando lhe viessem dizer que para ser jornalista não basta conseguir textos de nível abaixo da 4.ª classe.


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