despachado
00:04
por KC
A Pilhagem Intelectual e outros Dramas
Crónicas pós-traumáticas da idade adulta.
INACEITÁVEL
Eu não me importo com a utilização jornalística dos dados e das interpretações contidos nos meus livros sobre Cunhal. É normal que isso aconteça e mais vale que se utilizem informações que foram verificadas, do que a lista habitual de imprecisões e erros. Para além disso, os factos são os factos e pertencem a todos e não são propriedade de ninguém. Mas já é inaceitável, para não dizer outra coisa, trabalhos jornalísticos de todo o tipo, feitos quase exclusivamente a partir dos livros, a que se acrescenta um ou outro depoimento, e às vezes nem isso, seguindo estritamente a interpretação e nalguns casos as palavras e afirmações, sem pelo menos os citar, ou nomear como fonte. Isso é inaceitável e pouco honesto.
Pacheco Pereira, afinal o único biógrafo de Cunhal, ofende-se e com razão. O meio, ou seja o trabalho jornalístico, não cita a fonte. E usurpa a mensagem.
É uma nova interpretação do chamado jornalismo de investigação. Mas o direito à indignação de Pacheco Pereira é, afinal, a mera verificação de um facto. Os mensageiros são hoje donos da mensagem. Com os resultados que se conhecem.
despachado
01:05
por KC
A MORTE SAÍU À RUA (1)
Vasco Gonçalves
Álvaro Cunhal
Eugénio de Andrade.
A MORTE SAÍU À RUA (2)
É irónica a coincidência temporal.
Álvaro Cunhal e Vasco Gonçalves morrem no exacto momento em que pedaços da segunda geração dos que vieram das ex-colónias se juntam em bandos, em manadas, para atacar e assaltar.
Líderes de massas ao seu tempo, Cunhal e Vasco Gonçalves não foram nunca capazes de "arrastões". Por muito que se prometessem amanhãs que cantam ou fuzilamentos no Campo Pequeno.
É irónica esta coincidência temporal.
O general, que sempre escolheu Cunhal para elemento dos governos a que presidiu, ouviu "força, força, companheiro Vasco" e motivou agora gritos ao MFA (?) e velhas palavras de ordem como o "povo unido jamais será vencido". Jamais? E qual povo? E qual união?
É irónica esta coincidência temporal.
Até para recordarmos, os que podem, a rábula do "olhe que não, olhe que não", expressão de Cunhal no debate com Soares em que este defendeu um "socialismo de uma sociedade sem classes".