despachado
01:49
por KC
A televisão de balsemão
Na televisão de balsemão, aquela que só os abonados podem pagar, a lógica futeboleira é arrasadora. E anedótica. E patética. E pobrezinha. E, sobretudo, trauliteira, ao jeitinho dos tempos de Jorge Schnitzer, esse paladino do jornalismo, da verticalidade, da honestidade. O que interessa é incendiar, especular, destruir. E, no caso de José Mourinho, desperdiçar alarvemente
O outro Mourinho, uma criancinha babada com um perigosíssimo brinquedo chamado tempo de antena, serve às mil maravilhas. Dá para tudo. Para armar ao sério no pior telejornal semanal de que há memória. E para armar ao polémico na versão rasca dos marretas. Onde Seara gasta as energias que devia gastar em casa com a Judite. Onde Dias Ferreira, irmão da ex-ministra das finanças Manuela Ferreira Leite, brinca à Juve Leo com canudo passado pela Faculdade de Direito. Onde Guilherme Aguiar, do tempo das viagens de Calheiros ao Brasil, veste agora a farda da integridade.
Vai ser bonito este final de campeonato. E vai ser bonito também por causa de terroristas como os que a televisão de Balsemão - pomposamente chamada de SIC NOTÍCIAS - acolhe e cultiva. Discutir futebol? Para quê? O que interessa, na defesa do negócio (ou na destruição do mesmo, que afinal foi a TVI pimba que pagou os joguinhos que a SIC nem cheira ) é menosprezar, amesquinhar, levantar suspeitas, encontrar, afinal , merda, onde nunca, em tempo algum, cheirou bem.
A jornada foi o que foi. O Benfica ganhou de aflitos, mas só podia ganhar um jogo onde a outra equipa entrou essencialmente para uma espécie de caça ao homem. Exemplificada na agressão de Cissé a Mantorras, que merecia vermelho directo. Noutro campeonato, este jogo não chegava ao fim. Porque o Estoril ficaria impossibilitado de continuar. Na noite de Alvalade, onde o extraordinário Alvaláxia está à beira da falência, Polga achou que merecia mesmo ir para a rua e obrigou o árbitro a expulsá-lo. Ai não é agora? É no fim do jogo, deixa lá. Em Aveiro, onde um arguido num processo de corrupção que mete putas às cores pode sentar-se no banco, valeu o ex-homem de família Vítor Baía e o pontapé de Quaresma, essa ex-futura vedeta do futebol planetário.
Claro que ver José Veiga, esse exemplo de honestidade, probidade, bom senso e humanidade, à beira de ser campeão é incomodativo. Claro que ver Luís Filipe Vieira, esse exemplo de educação, honestidade, cultura e formação, à beira de ser campeão é incomodativo.
A questão é, contudo, simples. Faltam quatro jornadas. E nem o puto babado Mourinho, nem Seara, nem Dias Ferreira, nem Guilherme Aguiar, nem o arguido num processo de corrupção que mete putas às cores, nem José Veiga, nem Luís Filipe Vieira marcam golos ou defendem remates. E desculpas de arbitragem estão fora desta órbita. Porque o "tribunal" do jornal de Joaquim Oliveira (tão ardentemente mostrado por Dias Ferreira, que afinal tem de fazer publicidade a quem mete o dinheiro na SAD do Sporting) é o que é. Decide à distância, com dezenas de câmaras de tv e a tranquilidade de dizer bem a quem lhe paga.