despachado
23:57
por Shazam! o dom da palavra
O Carnaval
20.02.05.04.12.10
As crónicas da época encontram dificuldades para classificar o Carnaval de 2005. A celebração pagã da folia, das máscaras, do frenesim afrodisíaco proposto por um ex-pedaço do Império é um traço comum a anos anteriores, mas os registos indicam também a suprema ironia da mistura entre as mascaradas e a política, partindo esta, mestre do faz-de-conta, para um ciclo de promessas e caça ao voto exactamente no momento em que o disfarce, a máscara, o engano, dominam o senso comum.
Curiosamente, a projecção do inédito carnaval de 2005 surgiu cerca de dois meses antes, numa fase incaracterística do PREC, Processo Reactivo Em Curso. Aviada a data das eleições, O Presidente não acrescentou qualquer novidade sobre o despedimento sumário do fantástico executivo liderado por Pedrito, o Primeiro.
"Vocês sabem do que estou a falar", quis dizer O Presidente quando não especificou as razões do despedimento.
O pormenor do orçamento aprovado é, algo surpreendentemente, uma concepção neo-liberal das relações de poder. Do género, e transportado para uma qualquer empresa, acaba o que estás a fazer e a seguir vai à tesouraria fazer as contas. Não deixa de ser paradoxal despedir alguém por incompetência, exigindo ao mesmo tempo que os serviços mínimos, realizados pelo incompetente, sejam terminados.
No rectângulo de tecto envidraçado, os 50 dias que ainda faltam para os votos estão registados como dos mais penosos da História. E já vamos perceber porquê.