Bloggulk

Sexta-feira, Novembro 19, 2004


The Tomorrow News

Silence
Entry 10.0.8.10 -- (2
)

A gerência de Bloggulk, assegurada em exclusivo pela ¿Shazam! o dom da palavra¿ e por Kevin Concreto, vem reafirmar que o fenómeno blog é uma mania como outra qualquer. Um movimento, se quisermos.De repente, e se calhar felizmente, tornou-se mais importante do que o chat em tempo real, os mirc's e quejandos, com aquelas patetices a correr que ninguém percebe; ou as salas privadas, onde perpassa a infeliz utopia do sexo virtual.
A blogosfera, como alguns dos que rasgaram estes horizontes pomposamente lhe chamam, mais não é do que uma imensa multidão à procura de fazer-se ouvir. Ou melhor, ler. Em teoria, este é um óptimo princípio. Eu tenho algo para dizer e escrevo. O outro lê. E escreve comentários. A reciprocidade, o "feedback", podem ser fantásticos. Mas há aqui uma questão mal resolvida. Como fazer com que o outro nos leia, quando há demasiados outros à procura de quem os leia? E comente. É este, muito provavelmente, o único e verdadeiro desafio da chamada blogosfera. Interessante, sem dúvida, mas demasiado absorvente...

Repete-se este pensamento porque ele é crucial para perceber Bloggulk. Mesmo se a média de 75 visitas diárias (segundo o SiteMeter) traduz um arrepiante silêncio nos comentários.


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Quinta-feira, Novembro 18, 2004




The Tomorrow News

Smoke Wars
Entry 10.0.8.10


Dois fumadores, ambos do sexo feminino, foram hoje, cerca das 10 horas da manhã, abatidos no Café Central. Ignorando a proibição, as duas mulheres ousaram acender um cigarro logo após terem tomado café. O dono do estabelecimento, que usou uma shotgun fornecida para o efeito, já veio explicar que a lei é para cumprir. Testemunhas presentes no café central contaram mais tarde que outros clientes pontapearam os cadáveres repetidamente só tendo parado quando chegou uma brigada da BAT.

Duas horas depois, no snack-bar cachalote, outro fumador foi linchado pela restante clientela. O criminoso, do sexo masculino, nem chegou a acender o cigarro. Tirou o maço do bolso e foi imediatamente agredido. Os distúrbios terminaram pouco depois de um dos clientes ter usado um expositor de gelados para empalar o fumador.

Já ao final da noite, as brigadas da BAT foram chamadas de urgência à pastelaria doce mel. O proprietário e o pasteleiro de serviço incendiaram o estabelecimento depois de terem participado na agressão a um grupo de quatro fumadores que entrara minutos antes. O quarteto foi severamente agredido por outros clientes e deixado inconsciente. Os dois homens amarraram os criminosos a uma das arcas frigoríficas, regaram-nos com aguardente e whisky marado e usaram depois um lança-chamas fornecido para o efeito. A doce mel ficou praticamente destruída, mas o seguro anti-tabágico vai pagar os estragos.


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Quarta-feira, Novembro 17, 2004



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Terça-feira, Novembro 16, 2004




THE PREC TIMES
Chapter 1
The 15h November



Marian Stuart, co-author of the JRF report, noted that Home Office figures show that fewer than one in 50 sexual offences against children results in a criminal conviction. Recorded offences of gross indecency against children doubled between 1985 and 2001, but the conviction rate dropped from 42% to 19%.

Retirado da edição online do jornal The Guardian, o texto é explícito quanto ao rating de condenações em casos de pedofilia no Reino Unido. Em cada 50 casos de ofensa sexual contra menores, apenas um termina na condenação do(s) arguido(s).
A dez dias do teórico início do julgamento do caso pio, o olhar sobre a realidade nas ilhas britânicas vale apenas como enquadramento. E poucos serão os jornais portugueses (pelo menos os de dia 16 de Novembro) a citar os dados da Fundação Joseph Rowntree.

A coisa não está fácil.
O day after ao congresso do PSD (ou PPD/PSD, como Pedrito, o Primeiro, insiste em chamar-lhe) foi desatroso.

Depois da censura ao Contra-Informação, Rodrigues dos Santos (o verdadeiro) e toda a direcção de Informação da RTP pediu a demissão. O comunicado do CA da RTP é apenas patético. Porque ninguém acredita que a coisa seja ao nível da transferência de um correspondente no estrangeiro.
Entretanto, a SIC avança com a viagem-relâmpago de Burro da Silva. No sábado, presume-se que a grande velocidade, com escolta e sem radares, da Silva sai de Barcelos em direcção a Lisboa. Onde o espera a princesa Fiona, alegadamente desagradada com as notícias que chegam de Barcelos. Há, na corte, quem ouse colocar em causa a paixoneta. Mais, há quem ouse duvidar da pureza da princesa Fiona.
A notícia não merece comentários. Os burros, como todos sabemos, não falam. E a princesa Fiona é uma personagem registada pela Dream Works, de Spielberg e C&.

Os portugueses com tempo e paciência usam os fóruns da SIC Notícias e da TSF para comentar o(s) discurso(s) de Pedrito em Barcelos. Há de tudo, como na farmácia. As mulheres esganiçam-se no apoio ao líder. E muitos sublinham o improviso da oratória e, pasme-se, o conhecimento dos dossiers. Outros, radicais, falam na PIDE e coisas do género. Estão na casa dos 60 ou mesmo à porta e podem ser verdadeiros terroristas.

A coisa não está fácil.

A RTP termina o dia 15 com um prós e contras sobre a depressão. A estação lida mal com a demissão da direcção de informação. Há ainda a historieta do atentato abortado na véspera do arranque do Euro 2004.

E a demissão de Colin Powell, que a maior parte dos portugueses nem sabem bem quem é. As eleições (?) iraquianas não vão realizar-se a 25 de Janeiro. Pela primeira vez o óbvio é assumido pelo primeiro ministro (?) do Iraque, Ayad Allawi. A III Guerra prossegue em múltiplas frentes. Fallujah e tal, 1000 mortos (rebeldes, que merda de eufemismo), caos noutras cidades, já sem contar Bagdad.

A coisa não está fácil.
Um ministro do actual executivo vem agora desfazer uma medida tomada por outro ministro do actual executivo, quando este detinha a pasta daquele, durante os dois anos iniciais desta legislatura. Confuso? Não. Eis Portugal. Mas isso que importa?


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Segunda-feira, Novembro 15, 2004



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Domingo, Novembro 14, 2004




A tv sem shrek
A RTP mostrou esta noite o melhor do pluralismo e da liberdade de expressão. Faltavam poucos minutos para as 22 horas quando o Contra-Informação foi abruptamente interrompido. Não acabou o sketch, não houve direito a créditos, não houve direito a genérico. Nada. O Contra foi simplesmente interrompido a meio. Veio um spot publicitário e vai de entrar de imediato aquela coisa inenarrável, filmada no Brasil, que ninguém conhece, sabe o nome ou segue com o mínimo de atenção.

A curiosidade está no momento em que o Contra foi interrompido. Silenciado, talvez seja o melhor termo.

O sketch censurado buscava inspiração em Shrek 2. Santana Lopes era Shrek. Gomes da Silva era o Burro (embora não tão inteligente) e a namorada era (também verdinha e de orelhas) Paulo Portas. E foi no momento em que Shrek Lopes pedia namoro à ogre enfeitiçada Portas que a função acabou. Foi cortada.

Horas antes, em Barcelos, Shrek Lopes discursou intermináveis minutos e foi muito beijado por dezenas de gajas e aplaudido por um pavilhão cheio (também de muitas gajas) de gente em busca não se sabe bem de quê. Portas, talvez para evitar os beijinhos, não foi a Barcelos. Mas terá enviado uma cartinha a Shrek Lopes. Onde, presume-se, reiterava amor eterno.

No dia em que o partido ainda no poder tentou convencer-se que algo de bom está a acontecer sob o comando de Shrek Lopes, ficava mal aparecer o programa dos bonecos com um Lopes e um Portas esverdeados.

Esta gente já não tem pudor. Nenhum.


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