despachado
01:56
por kconcreto
A ANEDOTA
O Futebol Clube do Porto ameaçou, imagine-se, falta de comparência à sexta jornada da SuperLiga Galp (aumenta todos os dias) Energia.
O jogo é no domingo, como todos sempre souberam e nunca duvidaram, no Estádio da Luz, frente ao Benfica.
O Campeão Nacional em exercício (actual Campeão Europeu) não queria jogar com o líder do campeonato.
"Não, não jogamos se os super punhetas não forem acompanhados por agentes a cavalo (qual rebanho) até ao redil previamente demarcado",
disse a SAD portista, em linguagem cifrada por "ponderamos a presença em Lisboa e não jogaremos se não estiver garantida a segurança
dos nossos adeptos no Estádio da Luz". A anedota desenrascasda logo pela manhãzinha de sexta-feira (ou mesmo noitinha de quinta-feira)
pelo anedótico presidente da SAD do FC Porto, Pinto da Costa, durou até seis horas depois da PSP sublinhar o óbvio.
Mal do país e sobretudo das suas gentes (mesmo as estúpidas) se não houvesse segurança para um jogo da bola.
Algo que, sendo tão simples, motivou, ainda assim, um alijar de responsabilidades por parte do séquito governamental de Pedrito.
O gordinho e inócuo Hermínio Loureiro disse logo que não ia ao Estádio. Para não se meter em confusões,
cruzes credo, que o Benfica-FC Porto pode ser mais perigoso que os combates em Faluja, no Iraque.
O ministro da Administração Interna (quem?) foi ainda mais determinista. Se a PSP não se responsabilizasse pelo jogo, então nada feito.
Não há futebol na Luz, estádio onde há pouco mais de três meses se decidiu a final do Euro 2004.
Ou seja, também tinha dúvidas sobre a capacidade do país para suportar um Benfica-FC Porto
A malta não foi, em definitivo, para fim-de-semana sem a mensagem de normalização. O ¿punch line¿ veio da SAD portista
ao confirmar a viagem até à capital. Aleluia! O FC Porto, campeão nacional e campeão europeu digna-se a fazer menos de 300 kms
para jogar à bola num estádio onde devem estar cerca de 60 mil pessoas. O País está naturalmente agradecido.
E, sobretudo, embevecido com as personagens desta comédia que disputou e ganhou audiências a uma daquelas merdas que ninguém percebe:
o Orçamento de Estado para 2005. Mesmo com o esforçado Bagão Félix a tentar explicar o inexplicável.
Que bom que é viver em Portugal.
despachado
23:48
por kconcreto
No exercício do pleno direito ao contraditório, a selecção nacional assinou um resultado que o velhinho e já demolido José Alvalade conheceu de outras lutas.
Mas não haverá hoje mais bandeiras nas janelas só porque despachámos a Rússia com um evidente 7-1.
O tempo é outro e já nada tem a ver com a folia de Junho/Julho. É um tempo de revolução.
E, como sempre em momentos revolucionários, falta em orientação o que sobra em ansiedade.
O orçamento de estado para 2005 é qualquer coisa que o português comum não entende.
Fala-se em baixar escalões do IRS, em mais um plano de combate à fraude e evasão fiscal, na contenção da despesa. E em aumentos. Desorientação.
Sobe a contestação ao pagamento de portagens nas scut, os combustíveis voltam a aumentar, o ano académico em Coimbra começa com uma invasão da sessão solene. Há acidentes em cadeia, crimes macabros. Desorientação.
A dúvida sobre este PREC é só uma: quanto tempo mais vai durar o governo em exercício. Até ao fim da legislatura? Desorientação.