despachado
00:19
por kconcreto
a inteligência ainda existe
Que os radicais "fracturantes" das organizações do Bloco de Esquerda trouxessem cá o barco para organizarem uma operação de propaganda usando a ¿causa¿ do aborto, vá que não vá, estão no seu papel. (Dois caveat. O primeiro é que se violarem a lei devem sofrer as consequências, tanto mais que se trata de uma iniciativa claramente política, não um trágico aborto às escondidas em estado de necessidade de uma infeliz mulher. Não é a mesma coisa. Numa democracia é assim, mesmo quando não se concorda com a lei. O segundo é que, ao transformar a questão do aborto numa guerrilha radical, fazem estragos consideráveis no esforço moderado e necessário para acabar com a criminalização do aborto. Convém não esquecer que, seja qual for a evolução da situação, deverá haver um referendo, e no referendo os excessos pagam-se.)
Agora que o governo português resolva actuar como um espelho do Bloco, como um grupo radical de sentido contrário, com todos os tiques do radicalismo ideológico, com a agravante de abusar dos meios do Estado, é que coloca uma questão muito mais grave do que o folclore do barco. Se o barco foi uma provocação, este governo respondeu-lhe ao mesmo nível.
(JPP)
UMA PERIGOSA ESTUPIDEZ
As revistas feitas pela Polícia Marítima a um barco português só se justificam caso haja séria suspeita de que este esteja envolvido numa actividade criminosa. Não se fazem revistas a um barco (ou a um carro, ou seja lá o que for) para intimidar as pessoas que lá vão. As forças armadas portuguesas não podem ser usadas para acções de intimidação contra cidadãos que não estão a violar nenhuma lei, mesmo que não se concorde com as suas acções e opiniões. As forças armadas portuguesas não podem ser usadas para servir de cobertura a encenações políticas. O Presidente da República é posto directamente em causa se não fizer ou disser nada
Pacheco Pereira em www.abrupto.blogspot.com